População de rua em pauta

Ação Social promove reunião para discutir soluções para área

16 de julho de 2013
A Prefeitura de Angra dos Reis, por meio da Secretaria de Ação Social, promoveu na manhã desta terça-feira, dia 16, uma reunião sobre Políticas Públicas voltadas para pessoas em situação de rua. Hoje, a média mensal de atendimento passa de 400 abordagens.
Mas esse número não corresponde a quantidade de moradores de rua existente em Angra dos Reis, como explica a Coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Clarissa Ferreira.

- A média de abordagem diária é de oito atendimento durante o dia e 12 durante à noite. Isso, na baixa temporada. Porque na alta temporada, esse número pode dobrar. Principalmente por causa dos trabalhos informais. Entretanto, é importante ressaltar que o número de abordagem não é necessariamente o número de pessoas atendidas. Uma mesma pessoa pode ser atendida várias vezes pela equipe da Ação Social - disse Clarrissa.

Outro ponto abordado durante o evento foi o perfil do morador de rua. Clarissa Ferreira disse que antes, eram moradores de Angra que, por problemas em casa, ficavam nas ruas. Hoje, são pessoas dependentes de crack e outras drogas e, principalmente, não munícipes, que realizam trabalhos informais e até mesmo ilegais na região e acabam morando por aqui.

O Centro de Atenção à População de Rua, no Bracuí, também foi tema de debate. Para a Ação Social, o modelo está ultrapassado e precisa passar por mudanças.

- É uma herança que recebemos. O centro está em situação calamitosa. E ela não surgiu agora. Não foi em seis meses que ficou assim. O local já passa por esse processo de deterioração há muito mais tempo - observa a secretária de Ação Social Inês Tenório.

A secretária da pasta acrescenta, ainda, que Angra dos Reis é um município que cuida dos seu moradores de rua e não simplesmente transfere para outras cidades.

- As pessoas querem ver a cidade sem população de rua, mas não sabem das políticas públicas adotadas para cuidar deles. É um processo demorado, que não começou hoje. Estamos aos poucos implementando políticas públicas para minimizar os problemas - finalizou.

A Coordenadora do Centro de Atenção à População de Rua, Valdinéia Andrade lembrou que tem crescido o número de moradores de rua que vieram de outras cidades, principalmente do Estado de São Paulo, interior e Capital.

- Em 2012, 21 munícipes e 10 não munícipes passaram pelo centro. Já em 2013, de janeiro até julho, 19 munícipes e 39 não munícipes, a maior parte dos usuários era oriunda do estado de Paulo - disse Valdinéia.

Para o defensor público André Lopes, o segredo do sucesso é trabalhar de maneira coordenada.

- O Ministério Público é uma instituição voltada para quem é carente. Não consigo ver ninguém mais carente do que o morador de rua. A equipe de abordagem faz um trabalho heróico, mas o estado não resolve nada sozinho, é possível estabelecer parceria com outros órgãos. É preciso que as secretarias se comuniquem, que troquem telefones, que não fiquem somente no mero ofício - disse o denfesor.

Participaram da reunião o defensor público André Lopes; a gerente de Alta Complexidade da Secretaria de Ação Social Rosana Valle; a coordenadora do Creas Clarissa Ferreira; a presidente do Conselho Municipal de Assistência Social Eliza Silva; e a coordenadora do Centro de Atenção à População de Rua Valdinéia Andrade. Também esteve presente no encontro o subsecretário de Habitação, Marcelo Oliveira.