Angra dá início a Plano Local de Ação Climática
Primeira oficina levantou dados para diagnóstico. Ao final das etapas, proposta é estabelecer uma governança climática no município
A Prefeitura de Angra, por meio do Instituto Municipal do Ambiente de Angra dos Reis (Imaar) e da Defesa Civil municipal, junto a representantes da Secretaria Estadual Ambiente e Sustentabilidade (Seas), do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e da organização Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei), promoveu na quinta-feira, dia 6, a primeira oficina participativa sobre o Plano Local de Ação Climática (Plac). O encontro foi realizado no auditório da Defesa Civil, no bairro São Bento, reunindo representantes da sociedade civil, do governo municipal, de universidade e de instituições privadas.
A iniciativa integra o projeto Ambiente Resiliente, que visa fortalecer a capacidade dos municípios fluminenses de planejar e implementar ações frente aos impactos da mudança do clima. Para isso, o Plac é um instrumento estratégico que orienta o município na identificação, planejamento e implementação de ações para enfrentar os desafios da mudança climática. Na oficina, foram apresentados e discutidos dados e características de Angra para a geração do diagnóstico que vai embasar a elaboração do plano no município.
O objetivo é possibilitar caminhos para a construção de uma melhor qualidade de vida para a população diante de eventos climáticos, que têm ocorrido com maior intensidade e frequência nos últimos anos. Ao longo do processo, são desenvolvidas ações setorialmente transversais, que vão desde trabalhar pautas ambientais com gestores escolares, para que se fortaleça a educação ambiental entre os jovens, até capacitar os municípios a desenvolverem projetos de modo a acessar financiamento para iniciativas de enfrentamento às mudanças climáticas.
Representantes de diversos setores da prefeitura estiveram presentes, dentre eles a coordenadora técnica e educadora ambiental do Imaar, Edilza Barboza, e o superintendente de Gestão de Risco de Desastres da Defesa Civil, Leandro Nunes, que são os pontos focais do Plac em Angra dos Reis. Eles fazem a ponte entre o governo municipal e os demais órgãos que coordenam o projeto.
– O Plac é um instrumento do Programa Ambiente Resiliente, e hoje demos início a discussões e elaborações de ações no sentido de mitigar os riscos e problemas decorrentes dos eventos climáticos. Estamos levantando informações e, em novembro ou dezembro, estaremos em uma outra etapa, apresentando o diagnóstico baseado no que foi apresentado nesta oficina – explica a representante do Imaar.
Leandro Nunes, por sua vez, detalhou o papel da Defesa Civil na elaboração do plano:
– Com o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos, esse plano local se torna de vital importância para o município. A Defesa Civil está contribuindo com o mapeamento de áreas de deslizamentos, além de diversos outros dados e informações. Isso fundamenta ações voltadas a partes estruturantes, como obras de contenção, e não estruturantes, como reflorestamento e iniciativas de cunho humanitário.
Além de deslizamentos, nesse primeiro momento, foram identificados em Angra outros três problemas principais: ilhas de calor, seca e inundação. Também foram apontados os bairros e locais onde há maior propensão a cada um deles, além de também serem mapeadas áreas com vulnerabilidade socioeconômica.
O projeto prevê o estabelecimento de uma governança climática com diferentes instâncias, sendo uma delas, o Fórum Local de Mudança do Clima, com a participação de todos os segmentos da sociedade. Ao final das etapas, a proposta é que Angra tenha estabelecido um Plano Local de Ação Climática de forma colaborativa e em conformidade às suas necessidades.