Campanha em defesa dos cães da Ilha Grande

Animais costumam acompanhar trilheiros, ficam perdidos e não conseguem voltar. Material alerta visitantes para o problema

Terça-Feira, 08/06/2021 | Superintendência de Comunicação .

A Secretaria Executiva da Ilha Grande, vinculada à Prefeitura de Angra, com a parceria do Inea, deu início a uma campanha de conscientização pela proteção dos animais da ilha, principalmente dos cãezinhos. Embora muitos desses cães pareçam de rua, eles têm donos. Por conta do modo de vida local, os animais costumam ser criados soltos e, ao acompanhar turistas por longos trechos, acabam se perdendo sem conseguir voltar.

A campanha atende a pedidos de moradores. A ideia é conscientizar os visitantes para que não permitam que os cães os sigam. Integrantes da secretaria, com a colaboração da rede de proteção aos animais, estão fixando 400 cartazes em agências, campings, pousadas e locais com bastante circulação de pessoas. A campanha conta ainda com a colaboração do Parque Estadual da Ilha Grande e do GT da Ilha Grande.

O problema ocorre principalmente com os trilheiros. A volta à Ilha Grande percorrida pelas trilhas é um dos roteiros mais conhecidos e procurados na região, sobretudo nesse período de outono-inverno. Grupos de visitantes andam vila por vila, desfrutando da natureza e da tranquilidade das praias e matas. Muitos cães seguem esses caminhantes pelas trilhas e não sabem voltar para suas casas. Eles ficam perdidos em lugares que desconhecem, sem abrigo e sem comida. A geografia local dificulta a vida dos cãezinhos, pois muitas vilas são de difícil acesso e, portanto, de difícil retorno.

– Na Ilha Grande não existe um limite muito definido entre os quintais e os caminhos. Quando o turista vai embora o cão fica sem saber voltar. A gente sabe que ninguém faz por mal, por isso estamos fazendo essa conscientização com todo carinho – explica Amanda Hadama, coordenadora técnica da Secretaria Executiva da Ilha Grande.

Quando o cão se perde, é difícil localizar sua área de origem. Os moradores costumam usar uma rede solidária via grupos de WhatsApp. Quando são encontrados, por conta da difícil geografia local, é preciso embarcação disponível para trazê-los de volta.

– Já houve situações em que foi preciso levar o animal para o continente, para que seu dono o encontrasse e, daí então, pegasse uma outra embarcação de volta para casa, em posse do animal – explica Luana Ventura, coordenadora técnica da Secretaria Executiva da Ilha Grande.

Ela destaca que há ainda um outro problema. A Ilha Grande tem muitas áreas de reserva e, quando os cães se perdem, às vezes entram em confronto com animais silvestres. – Já encontramos porco-espinho ferido e também os próprios cachorros saem feridos – relembra. – A ideia é que com esses cartazes os visitantes possam entender o que acontece e que os próprios moradores contribuam para evitar que isso ocorra – acrescenta. Além dos cartazes, os responsáveis pela campanha pretendem afixar algumas placas.