Artes de Pesca Artesanal Empregadas na baía da Ilha Grande

O pescador (a) artesanal é o profissional que, devidamente licenciado (registrado) pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, exerce a pesca com fins comerciais, de forma autônoma ou em regime de economia familiar, com meios de produção próprios ou mediante contrato de parceria, desembarcada ou com embarcações de pequeno porte. Para a maior parte deles o conhecimento é passado de pai para filho, ou pelas pessoas mais velhas e experientes de suas comunidades. No Brasil, são produzidos em média cerca de 1 milhão e 240 mil Kg de pescado por ano, sendo que cerca de 45% dessa produção é da pesca artesanal. Os principais petrechos de pesca utilizados são linha, rede de espera, covo, arrasto, cerco fixo e flutuante.

Cerco Fixo Flutuante

O cerco flutuante consiste de uma arte de captura bastante antiga, desenvolvida pelos japoneses e introduzida no Brasil nos idos de 1900, nas águas da Ilha de São Sebastião, município de Ilha Bela, Estado de São Paulo. Sua eficiência no processo de captura justificou sua aceitação e disseminação pelos nossos pescadores, sendo encontrado até hoje em grande parte do litoral brasileiro.

O "cerco flutuante" consiste de uma armadilha de captura de pescado, geralmente confinando peixes que vivem em cardumes e que possuem hábitos migratórios.

Basicamente é composto pelo "caminho", pelo "rodo", pela "boca" e pelo "sacador". O caminho tem por finalidade barrar o peixe obrigando-o a mudar sua trajetória para a direção da boca. O rodo consiste de uma estrutura flutuante de forma circular onde se prende o sacador que é feito de redes de malhas menores. A boca do cerco é a abertura por onde o peixe entra para o interior do sacador. A boca do cerco é disposta de tal maneira que, uma vez o peixe dentro do cerco, fica-lhe difícil achar a saída. A estrutura é mantida no local através de poitas.

A retirada dos peixes se dá 2 a 4 vezes ao dia, dependendo da captura, e consiste em trabalhar com duas canoas e no mínimo 5 pessoas. A boca é fechada e a rede é recolhida gradualmente de forma a concentrar os peixes em um pequeno volume, permitindo sua retirada. Os peixes jovens e sem valor econômico são libertados vivos ao mar. Assim, esta prática de captura não é predatória por ser bastante seletiva.

A título de exemplo, o cerco possui as seguintes características:

Rodo: consiste de um cabo de polietileno de 18 mm com 60 braças de comprimento (102 m) mantido na superfície por flutuadores, fixados em forma circular por 20 garatéias de aproximadamente 40 Kg.

Boca: abertura com 4,5 braças (8 m).

Sacador: rede de malha 24 mm, em forma de saco, possuindo aproximadamente 12 m de altura.

Caminho: panagem presa a um cabo de polietileno de 18 mm, mantido na superfície por flutuadores de bombonas plásticas, medindo aproximadamente 65 braças (110 m).

Foto: imagem aérea do cerco fixo (foto: ESEC Tamoios)


Foto: Pescadores "colhendo" a rede do cerco.


Foto: Pescadores "colhendo" a rede do cerco para capturar o pescado.


Figura: a baía da Ilha Grande com pontos onde existe cerco fixo instalado.


Covos (armadilha de gaiola)

Covos são armadilhas transportáveis (portáteis), que podem ser construídos de diversos materiais como madeira, ferro, plástico, arames e panagens de rede. Os modelos variam de acordo com a região (influência cultural), ambiente natural (adaptação ao tipo de ambiente como tipo de fundo e regime de correntes), e com a espécie-alvo. São empregados principalmente para pesca de crustáceos, como lagostas e caranguejos, mas também podem ser utilizados para captura de peixes. Os organismos são atraídos para o interior do covo por meio de iscas ou pelo simples oferecimento de um abrigo. As iscas podem ser naturais (carcaças de peixe, peixe triturado, ração animal, etc.) ou artificiais (louça branca).

Foto: covo fabricado com uma "trança" de bambú, utilizado como armadilha para captura de peixes bentônicos.


Foto: covo fabricado em arame galvanizado e rede de polipropileno.


Linha de Mão

A pesca à linha é um dos métodos de pesca mais simples, empregando basicamente um ou vários anzóis na extremidade de uma linha de pesca.

A linha pode ser segura diretamente na mão do pescador, ou pode estar presa a uma cana-de-pesca, com ou sem molinete. Geralmente os anzóis são iscados, quer com isca natural (pedaços de peixe, camarão ou lula, ou minhocas), quer com iscas artificiais, de plástico ou metal, com a forma duma das presas das espécies de peixe que se pretendem capturar.

A pesca à linha é realizada, tanto como uma atividade recreativa ou desportiva, quer comercialmente ou como forma de subsistência e pode ser realizada com ou sem embarcação (neste caso de pequeno porte, como canoas, baleeiras, etc.). A pesca de margem, no mar ou em lagos, é uma das formas mais populares de pesca recreativa.

Foto: canoa utilizada na prática da pesca com linha.