Prefeitura abre Setembro Amarelo

Seminário reuniu especialistas das áreas de psiquiatria e atendimento de emergência para falar sobre prevenção ao suicídio

Quarta-Feira, 04/09/2019 | Superintendência de Comunicação .

A Prefeitura de Angra dos Reis, por meio de sua Secretaria de Educação, realizou na terça-feira, dia 3, no Teatro Municipal, o seminário “Educação e prevenção ao suicídio: independência é cidadania, cidadania é vida”. O evento abriu a programação municipal do Setembro Amarelo, uma campanha nacional de mobilização e conscientização sobre a prevenção do suicídio.

O encontro, que contou com palestrantes ligados ao tema, reuniu pedagogos e demais profissionais da educação, além de profissionais de saúde, assistência social e demais convidados. Foram discutidos formas de identificação de pessoas sob risco de suicídio, formas de apoio, protocolos de atendimento e caminhos para se buscar ajuda. A secretária de Educação falou sobre a importância dos pequenos gestos e do acolhimento, assim como da conscientização, que leva ao engajamento coletivo.

– Às vezes não damos um “bom dia”, não olhamos nos olhos e não conseguimos perceber o sofrimento de alguém. Aqui hoje o nosso propósito é conhecer sem estigmatizar. Conhecer pelo ponto de vista da ciência, de quem lida com esse problema – disse a secretária.

Quem também fez a abertura foi a secretária municipal de Desenvolvimento Social e Promoção da Cidadania, que falou sobre a necessidade de integração entre os setores, o que foi reforçado pela diversidade do público presente, que lotou o teatro.

– As políticas públicas precisam dialogar entre si. Nenhuma secretaria sozinha vai conseguir enfrentar esse problema em uma sociedade cada vez mais intolerante e com menos vínculos de afeto – destacou a secretária de Desenvolvimento Social.

Após a abertura, houve a apresentação das crianças do Polo Musical Educacional Yumi Imanishi Faraci, do bairro Belém. Em seguida, foi montada uma mesa de debate. A primeira palestrante, que participou por videoconferência, foi Aline Bezzoco, criadora do aplicativo “Tá tudo bem?”, voltado para o apoio emocional e prevenção ao suicídio, que falou sobre sua idéia e o funcionamento do app. Depois, a coordenadora do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) de Angra, Talita da Silva Rangel, falou sobre o funcionamento do Nasf e como ele pode ser acionado para o atendimento de pessoas sob risco de suicídio. A assistente social da Secretaria de Saúde, Érida Ferreira da Conceição, falou sobre a Área Técnica de Atenção às Pessoas sob Risco de Violência, levando em conta que o suicídio é uma forma de violência autoinfligida.

Dando continuidade, a psiquiatra Fátima Vasconcellos, diretora da Associação Brasileira de Psiquiatria, veio a Angra para falar sobre o enfrentamento do problema do suicídio. Dentre as características mais recorrentes das pessoas sob risco de suicídio e que podem servir para identificá-las, estão ser portador de doença psiquiátrica, histórico pessoal e familiar de suicídio, situação de perda real ou imaginada, sentimento de desespero, desesperança e desamparo. Dentre as características que afastam o problema do suicídio, estão a autoestima elevada, bom suporte familiar e laços sociais, religiosidade, senso de responsabilidade com a família, gravidez desejada e planejada, estar empregado (o desemprego pode ser um fator desencadeador de depressão e suicídio) e resiliência.

O coordenador de Urgência e Emergência do Samu da Costa Verde, Adilson Veríssimo, falou sobre “O desafio de abordar o tentante”, explicando alguns dos protocolos de atendimento emergencial das pessoas que tentaram ou estão prestes a tentar o suicídio. Ele destacou que o uso do termo “tentante” para classificar quem tentou tirar a própria vida, no lugar de “suicida”, é menos pesado e estigmatizante.

Para encerrar os debates, alunas da Escola Municipal Cleusa Jordão, integrantes do Coletivo Girassóis da Cleusa, falaram sobre como funciona o projeto. A ideia da criação dos Girassóis da Cleusa surgiu dos próprios alunos, com a percepção de que alguns de seus colegas passam por problemas emocionais e precisam de ajuda. O coletivo é formado pelos próprios alunos, que explicaram que o nome “girassóis” foi escolhido porque o girassol, além de representar a felicidade, está sempre voltado para a luz e de costas para a escuridão. O grupo realiza trabalhos de grupo com alunos e, durante o Setembro Amarelo, estará visitando as salas de aula explicando a importância da mobilização.

A programação do Setembro Amarelo inclui ações nas áreas de Saúde, Educação e Ação Social, como palestras, panfletagem e o lançamento de uma cartilha informativa, que deve acontecer no dia 10, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.