Criação de peixe em cativeiro

Único projeto no país para o cultivo de garoupas, badejos e cherne em tanque-rede

Terça-Feira, 13/03/2007 | Superintendência de Comunicação .

Angra mais uma vez sai na frente e lança um projeto único no país com a criação de peixe de água salgada em cativeiro. Há uma semana, a Prefeitura de Angra dos Reis, através da Secretaria Municipal de Pesca, lançou o projeto piloto. O pontapé inicial foi dado com a instalação de um tanque-rede na Praia da Tapera. As próximas comunidades a receber o cativeiro são Maguariqueçaba e Gipóia. A previsão da secretaria é que até o final do ano sejam 100. Todas as instalações já estão previstas dentro do Projeto de Gerenciamento Costeiro executado pela Prefeitura, através da coordenação da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano.
    O secretário de Pesca, Humberto Martins, está otimista diante da perspectiva de solucionar parte das dificuldades enfrentadas pelo pescador artesanal da região. O objetivo deste projeto é diminuir o esforço de pesca extrativista, oferecendo alternativa de trabalho e renda, também, em época de defesos.
      O nicho deste empreendimento, ainda em experiência, é a manutenção da cadeia produtiva de espécies ameaçadas de extinção e de grande valor comercial: os Serranídeos (garoupas, badejo e cherne). Estes peixes possuem alto valor de mercado, são extremamente adaptáveis a cultivos em pequenos tanques-rede, aceitam alimentação baseada em subprodutos da pesca e proporcionam uma atividade geradora de emprego e renda para as comunidades litorâneas.
 - A concepção do projeto foi embasada na preservação deste estoque pesqueiro, engorda e comercialização. Estamos muito otimistas diante do fato de criarmos oportunidades favoráveis de alternativa de renda para a população, - adiantou o secretário Humberto.
    Um ano é o prazo previsto para que as espécies em cativeiro estejam prontas para serem comercializadas. Ao final deste período os peixes terão em média dois quilos cada. Em torno de 750 peixes serão criados em tanques de 18 metros quadrados. Os peixes serão alimentados com os nutrientes naturais absorvidos em seu habitat e descarte de pescado. As espécies são capturadas na baía, com a autorização do Ibama. Depois de passarem pelo processo de retirada de impurezas, mergulhadas em recipientes com água doce por cinco minutos, são lançadas no tanque-rede onde serão observadas por biólogos da secretaria. Este projeto conta a parceria do Ibama, do Instituto de Pesca de Ubatuba e da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca.
-         A nossa intenção no futuro é montar laboratórios para grande produção de espécies, como no Estado da Bahia. A empresa que realiza este trabalho na região nordestina entrou em contato conosco e pretende nos enviar alevinos de bijupirá, uma espécie que em um ano chega a pesar oito quilos, e poderá ser comercializado em grande escala, - falou o secretário.

-         Quem são os serranídeos e qual sua importância mundial ?
 Os serranídeos (família Serranidae, sub-família Epinephelinae) compreendem 159 espécies distribuídas em 15 gêneros. Denominados genericamente por meros, chernes, garoupas e badejos, apresentam geralmente rápido crescimento e resistência ao manejo, sendo indicados para sistemas intensivos de criação. Além disso, possuem excelentes características para processamento pós-colheita.
       A par dessas qualidades da família estes peixes alcançam um elevado preço de mercado e são importantes também para a pesca esportiva e para o turismo subaquático, já sofrendo inclusive sobrepesca em diversas áreas, o que reforça a oportunidade de sua utilização em piscicultura marinha. Diversas espécies de serranídeos ocorrem em ambientes costeiros do litoral do Brasil.
    Os maiores produtores de serranídeos cultivados são Taiwan, Singapura, Tailândia, Hong Kong, Indonésia, China, Malásia, Vietnã e Filipinas, todos do Sudeste Asiático. A importância do cultivo de serranideos nessa região é tão grande que governos, como o da Tailândia, consideram-no uma das prioridades nacionais. A produção de serranídeos no Sudeste Asiático já supera as 13.000 toneladas/ano, sendo tradicionalmente realizada por pequenos e médios produtores (muitos deles pescadores) em áreas costeiras abrigadas, utilizando-se de pequenos tanques-rede (2mX2m ou 3mX3m).

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